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Prazer, me chamo Kênia, moro em Brasília – DF, sou professora de inglês, canceriana, torcedora do Palmeiras, amante de chocolate e gatos. Tenho como paixão a música, especialmente o rock. Minhas bandas do coração são o Oasis e o Skank. No mesmo nível de paixão está a leitura e o cinema. Adoro seriados inteligentes e de super heróis, e às vezes algo meloso e fofinho pra dar uma equilibrada. Leio de tudo um pouco, mas sou fascinada por distopias, thrillers, fantasia e mitologia. Tenho uma queda pela escrita do Neil Gaiman e do Stephen King e adoro descobrir escritores novos de escrita instigante, principalmente os nacionais. Amo viajar e conhecer novas culturas e lugares históricos. Londres é meu lugar favorito no mundo e tive a oportunidade de desbravar essa maravilha de cidade três vezes. Já pisei em 12 países e só penso em aumentar a lista. Iniciei esse blog há 3 anos com o intuito de compartilhar experiências de um pouco de tudo: resenhas de livros, viagens pelo Brasil e pelo mundo, dicas de inglês, experiências e pensamentos pessoais. Divirtam-se ♥

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

RESENHA: CARTA DE AMOR AOS MORTOS - AVA DELLAIRA

Por favor, leiam esse livro!

"Sabe, acho que, quando você perde alguma coisa próxima, é como perder a si mesmo. É por isso que, no final, até escrever é difícil para ela. Ela quase não sabe como fazer. Porque quase não sabe mais quem ela é."


Sinopse: Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

"Querido Kurt Cobain,
Hoje a sra. Buster passou nossa primeira tarefa de inglês: escrever uma carta para uma pessoa que já morreu. Como se a carta pudesse chegar ao céu ou a uma agência de correio dos fantasmas. Acho que ela queria que a gente escrevesse para um ex-presidente ou alguém do tipo, mas preciso conversar com alguém. Eu não poderia conversar com um presidente. Mas posso conversar com você."

O livro é narrado por Laurel, uma jovem de 15 anos, que está tentando recomeçar a sua vida após a perda da sua irmã e melhor amiga, May. May era uma garota que vivia intensamente e isso fazia com que Laurel a admirasse muito. Elas tinham uma amizade e cumplicidade muito forte e Laurel sonhava em um dia ser igual a irmã. Mas uma tragédia atrapalhou seus sonhos. 

"Mas, na vida, a gente nunca tem certeza do que vai acontecer , mesmo que planeje tudo. Pode haver uma reviravolta, acontece sempre."

Pra completar essa perda, sua mãe se muda para a Califórnia, com a desculpa de precisar de um tempo para se recompor, deixando-a com o pai e sua tia Amy, com quem ela mora uma semana sim, outra não. Tendo que lidar com os problemas da separação, Laurel decide mudar de escola para evitar qualquer tipo de questionamento dos amigos.

"Um amigo é alguém que dá liberdade total para você ser você mesmo – e especialmente para sentir ou não sentir. Qualquer coisa que você sinta naquele momento está bom para ele. É o que o amor verdadeiro significa – deixar alguém ser ele mesmo."

No seu primeiro dia de aula no ensino médio, a professora de inglês pede a seus alunos o seguinte trabalho: escrever uma carta para uma pessoa que já morreu. Laurel não escolhe apenas um destinatário, ela escolhe vários, dentre eles: Amy Winehouse, River Phoenix, Kurt Cobain, Janis Joplin, Jim Morrison e Heath Ledger. Cada capítulo é uma carta que dá detalhes da rotina e dos acontecimentos de sua vida, assim como desses ídolos, um lado deles como seres humanos, com suas qualidades e defeitos.

"Percebi que existe uma razão para Kristen, Tristan, Natalie, Hannah e eu estarmos juntos ali _ somos todos estranhos de um jeito diferente, e isso é normal. E mesmo que exista muita coisa que eu não possa dizer a eles, é bom me sentir parte de um grupo."

Laurel faz das cartas um diário e nos conta como está se adaptando a nova escola, como se sente em relação aos pais separados, seus novos amigos, suas aventuras. 
Ela conhece Hannah, a destemida jovem dos cabelos ruivos, e Natalie, a jovem apaixonada. Com elas, Laurel vai conhecer um mundo de festas, bebidas, drogas e confusões. Além delas, o grupo de amigos se completa com Tristan e Kristen, um casal hippie que tem os melhores gostos musicais e que aconselham Laurel por diversas vezes.

"Quando olho para Sky lembro que o ar não é apenas algo que existe, mas que se respira. Mesmo que esteja do outro lado do pátio, consigo ver o peito dele se movendo. Não sei porque, mas, neste lugar cheio de desconhecidos, fico feliz que Sky e eu estejamos respirando o mesmo ar. O mesmo ar que você respirou. O mesmo ar que May respirou."

Sua paixão é Sky, um garoto misterioso, que desde o primeiro dia de aula, Laurel observa. Ela não sabe como chegar nele, ou mesmo se ele se interessaria por ela. Ela então passa a se vestir com as roupas de May e a se comportar como se estivesse na pele da irmã, pra ver se ele olha pra ela, como as pessoas olhavam para May.

"Você usava roupas como se fossem uma armadura, mas, nas músicas, se abria totalmente. Estava disposta a se expor sem se importar com o que as pessoas pensavam. Eu gostaria de ser assim."

Cartas de Amor aos Mortos é um livro super musical. Durante a narrativa a autora vai citando músicas épicas de artistas incríveis. Para os fãs de rock, como eu, esse livro é um presente. Sou apaixonada por Nirvana e Jim Morrison e ao longo da leitura fiquei encantada com tantas referências.

"Kurt, parece que você conhecia May, Hannah e Natalie, e a mim também.
Como se enxergasse dentro de nós. Você cantava sobre o medo, a raiva e todos os sentimentos que as pessoas escondem. Até eu. Mas sei que você não queria ser nosso herói. Não queria ser um ídolo. Só queria ser você mesmo. Só queria que escutássemos sua música."

A escrita de Ava é poética, fluída e seus personagens são bem construídos, cada um com seu dilema, como o luto e como lidar com ele, violência doméstica, o uso abusivo do álcool, traumas da infância, como a separação dos pais afeta a vida de seus filhos, entre outros.
É bacana ver o amadurecimento da Laurel ao escrever as cartas, buscando entender a morte da irmã através da morte desses artistas queridos que nos deixaram tão cedo.

Não preciso nem dizer o quanto gostei desse livro, basta ver a quantidade de quotes que destaquei. Esse é um livro de sentimentos e descobertas que eu gostaria que todos pudessem ler.

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